The Glassless Viewer

 

Fotografia Nomeada

Concurso Internacional de Fotografia | Fine Art Photography Awards

Fotografar é a arte de saber ver, para poder mostrar. Uma fotografia não tem expressão ou significado, se não for vista e inerentemente interpretada. O fotógrafo não tem apenas a função de observar e captar. É impelido a mostrar a sua criação, quase como se de uma relação causa-efeito se tratasse. Nesse processo, ele contagia a imagem com a sua própria subjectividade. É algo indissociável na arte de fotografar. Daí a sua infinitude e beleza. A factualidade de uma imagem varia em igual medida, com a visão do fotógrafo e a subjectivação de cada um. Nesse sentido, cada um de nós também é responsável pelo rumo interpretativo que dá à imagem, não apenas o fotógrafo proponente.

A criatividade já tem de existir em cada um de nós, mas ela também pode exercitar-se pela prática. Quando um cliente nos pede um trabalho, tendemos a focar-nos mais no cumprimento desse objectivo, de forma a corresponder às suas exigências e a cumprir os prazos acordados. Só dessa forma seremos retribuídos. É um lado mais frio, mais técnico, profissional e comercial da fotografia. É ele que nos permite realizar outros projectos do foro artístico. A criatividade é um processo que pode ser demorado (ou não, porventura) mas que não se coaduna com as limitações impostas por uma fotografia unicamente mercantilista. Essa pausa e essa demora permitem-nos explorar nichos de comportamento como o perfeccionismo e as emoções, e aplicá-los à Fotografia. Numa imagem aprecio atributos de simplicidade, complexidade, antagonismo, imprevisibilidade, desconstrução, entropia e improbabilidade…

Sobre Esta Fotografia em Particular | The Glassless Viewer

Este trabalho contém alguns valores que aprecio na Fotografia, tais como: simplicidade, improbabilidade, antagonismo, composição e perfeccionismo. Relativamente à simplicidade e composição, os motivos são óbvios. Quanto à improbabilidade, considero provável não encontrarmos um terraço com estas características, especialmente a sua longa cobertura suspensa e forma peculiar. O antagonismo encontro-o na presença da sujidade do chão em contraste com a subtileza da decoração. Além disso, o céu parece (mas não é) artificial pela ausência de irregularidades e a sua tonalidade está em plena harmonia com o resto da imagem. Esta fotografia transmite conforto ao olhar pela convergência das linhas para o centro. Assim que a visão é guiada para o centro, ela foca-se na peça de decoração e fica automaticamente rodeada de um panorama tonal bastante harmonioso e acolhedor (apesar do terraço se encontrar no exterior). Parece que estamos dentro de uma sala fechada, mas estamos num terraço quase totalmente aberto. Foi um trabalho perfeccionista, de várias horas no local e antecedido por alguma pesquisa e determinação.